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Sobre o Suicídio

H. L. Mencken


O número de suicídios está aumentando, disse-me outro dia um inteligente papa-defuntos. Sem dúvida, uma boa notícia para a sua profissão, combalida ultimamente pelos progressos da medicina e quase tanto pela feroz competição em suas próprias fileiras. É também uma boa notícia para aqueles românticos otimistas que gostam de acreditar que a espécie humana é capaz de atos racionais. O que poderia ser mais lógico do que o suicídio? O que poderia ser mais despropositado do que continuar vivo? No entanto, todos nos agarramos à vida com desesperada devoção, mesmo quando o que resta dela é palpavelmente frágil e cheio de agonia.

Em parte, este frenesi absurdo tem suas origens na imaginação humana ou, como poderia ser chamada mais poeticamente, na razão humana. O homem, tendo adquirido a alta capacidade de visualizar a morte, visualizá-a como algo doloroso e horrível...

Passo por cima das objeções teológicas à autodestruição por serem muito sofísticas para merecerem resposta séria. Desde o começo, o cristianismo pintou a vida na terra como algo tão triste e vazio que seu valor tornou-se indistinguível do de uma merdinha. Então, para que aferrar-se a ela? Simplesmente porque sua inutilidade e dissabores são partes da vontade do Criador, cujo amor por Suas criaturas consiste curiosamente em torturá-las.

É difícil, senão impossível, descobrir qualquer razão lógica ou probatória, que não se desmascare instantaneamente como cheia de falácias, para se continuar vivo. A sabedoria universal do mundo já concluiu há muito tempo que a vida é uma maldição. Consulte um filósofo proverbial de qualquer raça e você o verá falando da futilidade da batalha mundana. Se você despreza a sabedoria popular, dê uma espiada no seu Shakespeare: suas peças escorrem um pessimismo de ponta a ponta. Se há uma ideia geral nelas, é a de que a existência humana é uma penosa futilidade, apagável como uma vela.

No entanto, nos atrelamos a ela de uma maneira atabalhoadamente fisiológica — ou, para ser mais preciso, patológica — e até tentamos recheá-la com pomposas cantilenas. Todos os homens verdadeiramente sensíveis lutam poderosamente pela distinção e pelo poder, pelo respeito e inveja de seus semelhantes, pela admiração de uma interminável série de carcaças portando aminoácidos em rápida desintegração. E para quê? Se eu soubesse, certamente não estaria escrevendo livros neste infernal verão americano; estaria exposto numa sala de cristal e ouro, e as pessoas pagariam 10 dólares para me contemplar através de buraquinhos.

Houve tempo em que imaginei que os homens trabalhavam em resposta a uma vaga necessidade interior de se exprimir. Mas aquela era provavelmente uma teoria capenga, porque muitos dos homens que mais trabalhavam não têm nada a dizer. Uma hipótese mais plausível começa a brotar agora: os homens trabalham apenas para escapar à deprimente agonia de contemplar a vida — e seu trabalho, assim como o seu ócio, é uma comédia-pastelão, que só lhes serve para que eles escapem da realidade. Tanto o trabalho como o ócio, normalmente, são ilusões. Nenhum deles serve a qualquer propósito sólido e permanente. Mas a vida, despida dessas ilusões, torna-se logo insuportável. O homem não consegue ficar de mãos abanando, contemplando o seu destino neste mundo, sem ficar desvairado. Por isto inventa formas de tirar sua mente deste horror. Trabalha, diverte-se. Acumula aquele grotesco nada, chamado propriedade. Persegue aquela piscadela esquiva da fama. Constitui uma família e dissemina a sua maldição sobre ela. E, todo o tempo, a coisa que o move é o desejo de se perder de si mesmo, de se esquecer de si mesmo e de escapar à tragicomédia que é ele próprio.

Fundamentalmente, a vida não vale a pena ser vivida. Assim, ele cria artificialidades para fazê-la parecer que vale. E também por isto erige uma espalhafatosa estrutura para esconder o fato de que ela não vale. O fato básico sobre a existência humana não é o de que seja uma tragédia, mas o de que é uma chatice. A objeção a ela não é a de que seja predominantemente penosa, mas a de que lhe falta sentido. O que a espécie terá pela frente? Os próprios teólogos não conseguem ver nada, exceto um vazio cinzento com alguns fogos de artifício irracionais no fim.

Falo como um daqueles de quem se poderia dizer, estatisticamente, que levou uma vida feliz. Trabalho até dizer chega, mas o trabalho é mais agradável para mim do que qualquer coisa que eu possa imaginar. Não tenho consciência de quaisquer desejos arrebatadores e inatingíveis. Não quero ter nada que não possa ter. Mas fico firme em minha conclusão, às portas da senilidade, que tudo não passa de uma grandiosa futilidade e nem ao menos é divertida. O fim é sempre a vanglória, geralmente sórdida e sem o mínimo toque de nobreza do patético.

Os medíocres continuam. Neles repousa o segredo do que se chama contentamento, a capacidade de deixar o suicídio para o dia seguinte. Eles próprios não têm significado, mas, pelo menos, oferecem uma saída para escapar da paralisante realidade. O objetivo central da vida é simular a extinção. Berramos demais contra a grandiloquência errada.

Ateísmo


Michael Martin

Ateísmo é a negação ou a falta da crença na existência de deus(es). O termo ateísmo vem do prefixo grego “a-”, significando “ausência”, e da palavra grega theos, significando “divindade”. 
O ateísmo possui uma vasta quantidade de implicações à condição humana. Com a ausência da crença num deus, as questões éticas devem ser determinadas em função dos objetivos e preocupações humanas, cabendo a nós assumir responsabilidade total pelo nosso destino. A morte, nessa visão, marca o fim da existência de um indivíduo.
 

O Escopo do Ateísmo

 

Em tempos antigos, pessoas utilizavam ocasionalmente a palavra “ateísmo” como uma ofensa às posições religiosas de seus opositores. Os primeiros cristãos eram chamados de ateus porque negavam a existência das divindades romanas. Ao longo do tempo muitos mal-entendidos surgiram: que os ateus são imorais, que a moralidade não pode ser justificada sem a crença em um deus, que a vida não tem sentido sem um criador. 

Apesar dessa visão ser bastante difundida, não há evidências de que ateus são menos morais que os teístas. Muitos sistemas morais foram criados sem pressupor a existência de um ser sobrenatural. O “sentido” da vida humana pode basear-se em objetivos terrenos, como melhoria da humanidade. 

Na sociedade ocidental o termo ateísmo foi utilizado mais especificamente para designar a negação do teísmo, particularmente o judaico-cristão.  O teísmo, entretanto, não é um componente de todas as religiões. Algumas rejeitam o teísmo, mas não são inteiramente ateias. Apesar do Bhagavad-Gita — escritos sagrados do hinduísmo — ser totalmente fundamentado em tradições teísticas, escritos hindus mais antigos — conhecidos como os Upanishads — ensinam que o Brahman (a realidade última) é algo impessoal. O ateísmo “ativo” rejeita até os aspectos panteístas do hinduísmo, que igualam Deus ao Universo. Várias outras religiões orientais, incluindo o budismo theravada e o jainismo, são comumente vistas como crenças ateísticas, mas essa interpretação, a rigor, não é correta. Tais religiões rejeitam a ideia de um Deus criador do Universo como defendido pelo teísmo, mas admitem numerosos outros deuses inferiores. Na melhor das hipóteses, só podem ser consideradas “ateísticas” no sentido de que não aceitam o teísmo.
 

História

 

No mundo intelectual do Ocidente o fenômeno da difusão da descrença em Deus possui uma longa e distinta história. Filósofos da antiguidade, como Lucrécio, eram descrentes. Mesmo na Idade Média (do V ao XV século) havia correntes de pensamento que questionavam as assunções teístas, incluindo o ceticismo — doutrina que alega a impossibilidade de se alcançar o “verdadeiro conhecimento” — e o naturalismo — crença de que apenas forças naturais governam o mundo. Vários pensadores iluministas (1700-1789) eram ateus militantes, incluindo o escritor dinamarquês Baron Holbach e o enciclopedista francês Denis Diderot. Expressões de descrença são também encontradas em clássicos da literatura ocidental, incluindo os escritos de poetas ingleses como Percy Shelley e Lord Byron; do novelista inglês Thomas Hardy; de filósofos franceses como Voltaire e Jean-Paul Sartre; do autor russo Ivan Turgenev e de escritores americanos como Mark Twain e Upton Sinclair. Os ateus e críticos de religião mais articulados e conhecidos do século XIX são os filósofos alemães Ludwig Feuerbach, Karl Marx, Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche. O filósofo britânico Bertrand Russel, o psicanalista austríaco Sigmund Freud e Sartre estão entre os ateus mais influentes do século XX.

 

A Diversidade no Ateísmo

 

Ateísmo é, primariamente, uma “reação à” ou uma “rejeição da” crença religiosa, e portanto não é possível determinar quaisquer outros pontos de vista filosóficos a partir dele. O ateísmo, às vezes, é associado às correntes filosóficas materialistas, as quais defendem que apenas a matéria existe; com o comunismo, o qual afirma que a religião impede o progresso da humanidade; e com o racionalismo, que coloca a razão acima de outros métodos de investigação. 

Entretanto, não há qualquer conexão necessária entre o ateísmo e tais posições filosóficas. Alguns ateus opuseram-se ao comunismo, outros rejeitaram o materialismo. Apesar de praticamente todos os materialistas contemporâneos serem ateus, Epicuro — um materialista grego da Antiguidade — acreditava que os deuses eram feitos de matéria na forma de átomos. Racionalistas como o filósofo francês René Descartes acreditavam em Deus, enquanto Sartre não pode ser considerado um racionalista. O ateísmo foi associado a sistemas de pensamento que rejeitam autoridades, como o anarquismo — teoria política que se opõe a qualquer tipo de governo — e o existencialismo — movimento filosófico que enfatiza absoluta liberdade de escolha que os humanos possuem; também não há, contudo, qualquer relação necessária entre tais posições e o ateísmo. 

O filósofo britânico A. J. Ayer era um ateu que se opunha ao existencialismo; o filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard, por sua vez, era um existencialista que aceitava Deus. Marx era um ateu que rejeitava o anarquismo, enquanto que o novelista Leo Tolstoy, um cristão, adotava o anarquismo. Devido ao ateísmo, estritamente falando, consistir meramente numa negação, ele não pode, por si próprio, proporcionar uma cosmovisão ao indivíduo; logo, é impossível deduzir quais outras concepções filosóficas serão adotadas.

Imune


 H. L. Mencken


A convenção social mais curiosa desta grande época em que vivemos é a de que as opiniões religiosas devem ser respeitadas. Os efeitos maléficos desta convenção devem ser evidentes para todos, mas os dois maiores são:

a) jogar um véu de santidade sobre ideais que violam qualquer decência intelectual; 

b) tornar todo teólogo um libertino com imunidades. O resultado disto é a espantosa lerdeza com que as ideais realmente sólidas circulam pelo mundo. No minuto em que uma dessas ideias põe a cabeça para fora, é inevitável que algum teólogo analfabeto cairá sobre ela, tentando destruí-la. A maneira mais eficiente de defendê-la, naturalmente, seria cair sobre o teólogo com uma clava, porque a única defesa que funciona, na polêmica ou na guerra, é uma ofensiva vigorosa. Mas isto seria considerado falta de modos pelas convenções, e assim os teólogos continuam alegremente o seu assalto à inteligência sem muita resistência, retardando desagradavelmente o conhecimento. 

Não há, na realidade, nada sobre opiniões religiosas que as autoriza a mais respeito que quaisquer outras opiniões. Ao contrário, elas tendem a ser ostensivamente cretinas. Não, não há nada ostensivamente digno a respeito de ideias religiosas. Só conduzem a uma espécie curiosamente pueril e tediosa de asnices. Na melhor das hipóteses, são compiladas dos metafísicos, ou seja, de homens que devotam suas vidas a provar que duas vezes dois não são sempre ou necessariamente quatro. Na pior das hipóteses, cheira a espiritualismo ou a cartomancia. Nem há qualquer virtude visível nos homens que as comercializam profissionalmente. Poucos teólogos sabem alguma coisa que valha a pena, mesmo sobre teologia, e poucos deles são honestos. 

Ele (o teólogo) dissemina a sua cantilena, não inocentemente como um filósofo, mas maliciosamente como um político. No mundo em que vivemos temos de ouvir o que ele diz, não apenas educada e reverentemente, mas babando de boca aberta.

A Explicação




Luís Fernando Veríssimo




Está certo, deve-se respeitar a crença dos outros. Talvez a descrença seja apenas uma falta de imaginação. São tantas, tão variadas e tão literariamente atraentes as explicações metafísicas sobre o que, afinal, nós estamos fazendo neste mundo e o que nos espera no outro que não crer em nada, longe de ser uma atitude racional e superior, é uma forma de burrice.
De não saber o que se está perdendo. O negócio é ser pós-moderno e desistir conscientemente do racionalismo, pois, se as explicações finais são tão impossíveis quanto as utopias — e a própria física, quanto mais descobre sobre o mundo, mais perplexa fica —, então o negócio é voltar à mágica e ao deslumbramento primitivo, que são muito mais divertidos.
É difícil lidar com toda essa herança que a gente recebe junto com um corpo e uma mente, uma vida finita num universo infinito, sem nem um manual de instrução. No escuro, todas as respostas são válidas, todas as crenças são respeitáveis.
Eu, por exemplo, estou desenvolvendo a tese de que a explicação de tudo está na alcachofra. Ainda não sei bem onde isto vai me levar, mas sinto que estou perto de uma revelação. Deus é uma alcachofra. Quando desenvolver melhor a ideia, volto ao assunto.

"Religiões devem ser colocadas em debate.

Nenhum dogma moral pode ser tomado como absoluto.”


The Satanic Bible

A batalha pela sua mente




Dick Sutphen

Nascimento da conversão


"Conversão" é um eufemismo para "lavagem cerebral".



Em 1735, Jonathan Edwards descobriu as técnicas por acidente durante uma cruzada religiosa em Northampton, Massachusetts. Percebeu que induzindo culpa e tensão, os "pecadores" presentes sucumbiam e submetiam-se completamente aos seus comandos. Edwards estava criando condições que expunham o cérebro totalmente, deixando-o assim sujeito à reprogramação.

A nova programação, em forma de sugestão, substituirá suas idéias antigas. A meu ver, a maioria dos pregadores não sabe que está usando técnicas de lavagem cerebral. Acredito fortemente que essa é uma das principais causas do aumento no fundamentalismo cristão,
especialmente na sua versão televisionada, enquanto a maioria das religiões ortodoxas está definhando.


As Três Fases Cerebrais

Os Cristãos podem ter sido os primeiros a utilizar com sucesso a lavagem cerebral, mas nós temos que nos voltar a Pavlov, o cientista russo, para obtermos uma explicação científica.


1º fase equivalente: o cérebro da a resposta idêntica a estímulos fortes ou fracos.

2º fase paradoxal: nela o cérebro responde mais intensamente aos estímulos fortes que aos fracos.

3º fase ultraparadoxal, onde padrões de respostas e comportamentos condicionados invertem-se de positivo para negativo ou vice-versa.



Progressivamente, através de cada fase, o grau de conversão torna-se maior. Os meios para alcançá-la são extremamente variados, mas o primeiro passo é enfocar e trabalhar nas emoções do indivíduo ou grupo até que isso produza níveis anormais de raiva, medo, excitação ou tensão.



Como conseqüência, essa condição impede o discernimento claro e aumenta a sugestionabilidade. Quanto mais esse estado for mantido ou intensificado, mais crescem seus efeitos. Uma vez atingida a catarse, ou "primeira fase mental", a manipulação torna-se mais fácil, e assim as programações mentais preexistentes podem ser substituídas por novos padrões de comportamento e pensamento.



Outras armas fisiológicas comumente usadas para modificar as funções cerebrais são o jejum, dietas radicais ou com excesso de açúcar, técnicas de respiração, iluminação especial, efeitos sonoros...




Como Agem os Pregadores
Vá a alguma igreja e sente-se entre o meio e o fundo (preferencialmente no terceiro quarto). Alguma música repetitiva será tocada enquanto as pessoas organizam-se para começar a cerimônia. Essas músicas oscilam entre 45 a 72 por minuto (um ritmo próximo ao do coração humano), são hipnóticas e podem gerar estados alterados de consciência em uma alta porcentagem dos indivíduos, mesmo que mantenham os olhos abertos. Uma vez que as ondas cerebrais alfa sejam predominantes, você torna-se no mínimo 25 vezes mais sugestionável do que no estado beta de consciência.


Técnica da "Voz Cadenciada"
A "Voz Cadenciada" é um padrão, um estilo de fala ritmada usada por hipnotizadores para induzir transe. Na prática, o orador parece estar seguindo o ritmo de um metrônomo, como se enfatizasse cada palavra num estilo monótono e padronizado. Após induzir um estado alterado de consciência, passam a ter como objetivo gerar excitação e expectativa na audiência.


Na maioria desses encontros, após o "testemunho", segue-se um sermão predominantemente baseado no medo. Depois de ouvir numerosos casos de curas milagrosas, as pessoas normais na platéia com problemas simples estarão convictas de que podem se curar.



Processo de Decognição
Primeiro passo:
comprometer a atenção e vigilância.
Segundo passo:
confundir.
Terceiro passo:
suprimir o pensamento.


A grande maioria dos "crentes cegos" pode ser dividida em três classes:

1) as pessoas inseguras;
2) as mentalmente desequilibradas;
3) as "solitárias", sem esperanças e amigos.


Técnicas de Persuasão
Suponha por um momento estar assistindo um político discursar. A primeira parte desse discurso é a "axiomática". Ele tentará condicionar os seus ouvintes a concordar com tudo o que diz fazendo afirmações indiscutivelmente verdadeiras. Às vezes, durante essa parte, as pessoas até balançam suas cabeças em sinal de concordância. A próxima etapa é a dos "truísmos". São verdades discutíveis, mas uma vez que o político já possui o assentimento da audiência, é provável que continuem a concordar. Por último vem a "sugestão". É a parte na qual o político diz o que você deve fazer.


No discurso abaixo, as três primeiras sentenças são "axiomas", as próximas três são "truísmos" e a última uma "sugestão".

"Senhoras e senhores, vocês estão revoltados com os altos preços dos produtos alimentícios? Estão cansados do preço astronômico da gasolina? E também da inflação fora de controle? Bem, vocês todos sabem que o outro partido permitiu que a inflação chegasse a 18% ano passado; também devem saber que o crime aumentou 50% no país nos últimos 12 meses. Ainda por cima, seus salários mal estão cobrindo as despesas. A resposta para todos esses problemas é eleger John Jones para o Senado Estadunidense."

"Baseamos as razões de nosso cepticismo,



quanto à descoberta do passado, nos conhecimentos hoje à nossa disposição. Ao confessar que somos cépticos, desejamos que isso seja tomado no sentido adotado por Thomas Mann, ao fazer uma conferência, na década de 20: "O positivo no céptico é que ele julga tudo possível!"

A arrogância da oração


Emil Cioran



Recuso-me à sedução malsã de um Eu indefinido. Quero chafurdar-me em minha mortalidade. Quero permanecer normal.

(Senhor, dá-me a faculdade de jamais rezar, poupa-me a insanidade de toda adoração, afasta de mim essa tentação de amor que me entregaria para sempre a Ti. Que o vazio se estenda entre meu coração e o céu! Não desejo ver meus desertos povoados com Tua presença, minhas noites tiranizadas por Tua luz, minhas Sibérias fundidas sob Teu sol. Mais solitário do que Tu, quero minhas mãos puras, ao contrário das Tuas que sujaram-se para sempre ao modelar a terra e ao misturar-se nos assuntos do mundo. Só peço à Tua estúpida onipotência respeito para minha solidão e meus tormentos. Não tenho nada a fazer com Tuas palavras. Concede-me o milagre recolhido antes do primeiro instante, a paz que Tu não pudeste tolerar e que Te incitou a abrir uma brecha no nada para inaugurar esta feira dos tempos, e para condenar-me assim ao universo, à humilhação e à vergonha de existir.)

A criação de Deus



José Moreira da Silva


Todas as ideias dos homens vêm de fora de algum modo. Da sociedade que o cerca, dos livros que lê, das influências da sua vida. Além de influências de sua própria natureza. Pois cada um tem um modo de ser determinado pelos seus próprios genes. Alguns nascem calmos, outros agitados. Uns com propensão à violência, outros não.

Como pode Deus castigar ou punir alguém quando pelo menos 90% da personalidade de uma pessoa é determinada por causas acima de seu controle? Além do mais, existem várias religiões na Terra. Cada uma com regras específicas para se entrar no céu. Sendo assim, como pode uma pessoa ser salva simplesmente por ter tido a sorte de nascer no local adequado? Sabemos muito bem que 90% das pessoas adotam a religião de seu local de origem ou uma variante da mesma. 

O comportamento ético de um ser humano deve se basear em suas necessidades sociais e individuais, a religião não precisa entrar nessas questões. O melhor guia para o comportamento social é a razão. Tudo gera consequências. Regras fixas de comportamento não são compatíveis com o ser humano, pois fatos sociais mudam o tempo todo.

Rebeldia é fidelidade à nossa natureza íntima. Não é ser do contra ou a favor. É ser íntegro com o que se acredita.

 
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